Se o clown é pessoal, um eu dilatado, talvez o mais nu dos artistas. Penso que posso utilizar-me de experiências pessoais e memória criativa para a construção de minha Alecrim Scarlett e de um número cômico para ela. 2011 iniciou-se com intensas transformações pessoais. 360º. Doloridas e prazerosas, a minha necessidade como indivíduo é transformá-las em expressão artística.
Passei recentemente por dois lutos. Não passei … Não é passado. É presente!! Estou "experienciando"-os. Enquanto tive a presença física destas duas pessoas eu não as experimentei com FOME. Começo a conhecê-las agora, no vazio da perda.
Passei recentemente por dois lutos. Não passei … Não é passado. É presente!! Estou "experienciando"-os. Enquanto tive a presença física destas duas pessoas eu não as experimentei com FOME. Começo a conhecê-las agora, no vazio da perda.
Café, eu criança deslocada, um parafuso que não se encaixa. À margem. As últimas refeições: frango com cogumelos ao molho de cerveja e pão de queijo. Uma foto: eu e minha prima aos 4 anos de idade, as netas caçulas.
À tarde, o cheiro do quarto reinventado do meu tio que eu nunca conheci – o meu Animus. Meu amor platônico. As mãos mortas de meu avó materno sobre o próprio peito.
Passado e presente. Não existe divisória. Encontro-me em ambos os espaços. Onde estou?
Para a construção de minha Alecrim tenho como desejo pesquisar a memória. Criativa... ou não. Iniciarei a minha pesquisa pelo Bergson (Matéria e Memória).
Ah, a minha escrita é fragmentada. Desculpa. Assim como meus pensamentos. Vivo em um mosaico de lembranças, ... Com cores, colorida, sépia e preto e branco.
O artista é feito de dor... Mesmo aquele com um sorriso e um nariz vermelho... E ninguem percebe... O engraçado, tambem... É que somos abençoados por isso... Mas demoramos tambem a perceber.
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